Um Baile Sob a Lua e a Água

2 jun

Por mais uma noite as nuvens apareciam carregadas, prenunciando a festa. À luz da pouca lua que resta na neblina os ratos iniciam o baile. Em mais uma noite há a certeza da precipitação. As primeiras gotas caem. Intensifica-se a festa. Os mais jovens logo mais apreciarão a liberdade que não lhes é concedida nos esgotos. Em poucos minutos está tudo cheio.

A festa, o céu, a rua, a enchente. Fazendo frente aos faróis e aos motores está a correnteza da avenida. Recicláveis e orgânicos mais uma vez invadem as casas. O baile, agora já mudara de lugar. Está em todo lugar. As ratazanas se espalham para aproveitar o raro banquete. Aos olhos aterrorizados daquelas gigantes e impotentes criaturas, os roedores se divertiam. “Desgraça a uns, banquete a outros”. Os ratos aproveitavam o momento.

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 Enquanto os primatas agonizavam com a inutilidade de sua maquina diária, os roedores voltavam, felizes, aos seus buracos. A festa estava chegando ao final. As últimas gotas de chuva já haviam caído. A água já baixara. Sobraram apenas os resquícios do que para uns foi destruição, mas, principalmente, para outros a libertação. Dentro de seus respectivos bueiros os ratos aguardavam ansiosamente  o próximo baile.

Texto de Felipe Ruan

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