Na base da raça

12 abr

Libertadores da América. Se existe uma competição que mexe com os torcedores brasileiros é essa. Tão imprevisível que é capaz de transformar uma equipe humilhada, limitada e que sofre a mais de uma década com más gestões, em um exemplo para qualquer time do mundo. Falo do Palmeiras, que ontem no Pacaembu provou que mesmo um elenco tão limitado e ainda por cima que sofre com um número absurdo de contundidos, pode sim superar qualquer adversário na base da raça e superação.

Foi de arrepiar qualquer palmeirense assistir esse jogo. Contra o bom time do Libertad do Paraguai, a equipe alviverde mostrou uma disposição cada vez mais rara no futebol mundial. Correram, dividiram, se doaram em campo, não havia bola perdida. Quando Wesley foi expulso, 10 jogaram e marcaram por 11, não baixando a cabeça e nem desistindo em momento algum. Todos ali estavam cientes que os adversários eram melhores, mais bem armados e mais entrosados, mais isso não importava. Embalados pelas vozes de mais de 35 mil palmeirenses que lotaram o estádio, o Palmeiras foi pra cima e foi recompensado com a vitória.

Mas por que a entrega que teve os jogadores do Palmeiras se tornou tão rara? Times melhores e mais badalados não conseguem fazer jus a seus nomes e camisas em campo, porque muitas vezes seus jogadores parecem mortos em campo, se arrastando. Não correm, não lutam, não tentam. O amor à camisa se tornou item raro, e o torcedor sabe disso. Hoje, a maioria dos craques não liga a mínima pra quem está assistindo, torcendo por eles, antes só querem saber de contratos mais pomposos, de baladas cheias, de saírem nos tabloides sociais ao lado de beldades fúteis e interesseiras. O futebol deixou de ser paixão, virou negócio.

Mas ainda temos esperança, esperança que o espírito que o Palmeiras apresentou ontem contagie outros grandes do Brasil. Que a vontade de vencer se torne padrão nos times brasileiros, que não importe que haja limitação técnica, desde que haja superação. Talvez assim voltemos a ter o melhor futebol do mundo, talvez não. Mas com certeza vai ser bem mais divertido de assistir.

Texto de Rafael de Paula

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