Fábula feliciana

9 abr

Havia, há muito tempo, um clubinho no lado direito da grande casa dos dois pratões. Ninguém ligava pra ele, não se ouvia falar dele. Isso ocorria porque existiam muitos outros clubinhos naquela casa. Muito disputados pelos grandes dinossauros e seus poderosos amigos, eles eram. Porém, o clubinho sempre ficava em segundo plano, nenhum dinossauro queria tomar conta dele.

Daí, num dia, o grupo dos dinossauros que tomavam conta do clubinho não quis mais olhar por ele. Passou esse encargo para outro grupo de dinossauros, um grupo menor e menos influente na casa dos dois pratões. E esse grupo escolheu para chefe do clubinho, um dinossauro encrenqueiro e muito falante.

De repente, como uma saraivada de balas, todos os dinossauros começaram a olhar para aquele clubinho. E também os mamíferos que confiaram naqueles dinossauros viraram seus olhos para o clubinho e seu novo chefe. E esse dinossaurinho levado não parava de soltar frase polêmicas no clubinho. Ele se dizia contra os mamíferos que comiam frutas nas árvores mais baixas só porque ele e aprendeu que comer das mais altas era o certo. Também era contra a ideia de que mamíferos roedores podiam se entender com equinos e muito mais.

Mas os chefes do seu grupo não faziam nada.

Muitos mamíferos e dinossauros começaram a se revoltar pra tirá-lo do clubinho, mas ele não queria sair. Dizia que ninguém entendia suas ideias e que ele ia fazer o clubinho ser aceito entre os clubes maiores da casa. O dinossauro falante até tentou se explicar pros mamíferos diante de um perguntador deles, mas não conseguia convencer nenhum deles.

As falas que o dinossaurinho disse foram muito feias e não se deve repeti-las. Talvez ele não seja mesmo o melhor chefe para o clubinho e nem devesse estar entre os dinossauros naquela casa.

Mas sempre é bom terminar uma história com um final feliz e uma frase clichê – mesmo sabendo que na realidade as coisas não são sempre assim. O clubinho agora está mais visível na casa dos dois pratões, um dinossauro mais cauteloso pode, ainda, tomar conta dele. Há males – têm vezes isso acontece, pode acreditar – que vem para bem.

PS.: Depois de ler e revisar a historinha não me convenci por inteiro sobre a frase clichê, mas foi assim que o avô de meu avô contou essa passagem há muito tempo atrás e não seria eu que mudaria isso.

Texto de Bernardo Fontaniello

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